Manhã aquífera

 

Fotografia: Mariana Kaoos
Manhã aquífera: diluir-me. Virar molécula H2O. Transitar pelos estados da condição humana. Abandonar a solidez. Abraçar o que liquefaz. Ser enxurrada. Transcorrer. Transbordar. Inundar de potência as ondas de desejo que me tomam. Compreender o tempo das chuvas e marés. Não me afogar em tsunamis de ansiedade. Entrega. Água é entrega. Mesmo quando se supõe dilúvio e turbulência. Água é caminho. Acolhimento. Compreensão. Água é mãe. E mãe ensina. Mostra. Escancara. Mãe banha o corpo do filho, limpa e rega as securas da alma. Odociaba. Saluba. Ieiê Ô. Senhoras De mim, peço que jorrem gotículas de firmeza e sabedoria no meu caminho. E que me ensinem a dançar com as correntezas. E que me mostrem em quais profundidades internas preciso mergulhar para que o meu nado se torne sincronizado com a evolução da vida. Um salve a essa manhã molhada. Salve as chuvas. Salve o mar. Salve os rios. 

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