Paulo Mascena



 

Escreverei uma carta manifesto bradando o meu amor! Ele é puro, grande, ilimitado. Quando se instaura, expande uma luz azul celestial e se bifurca na infinitude que se é e na aceitação de tudo o que pode vir a ser. Meu amor é como as águas: molha, transborda, liquefaz, limpa, jorra. Não pode ser contido. Não pode ser preso. Quando fragmentado, torna-se insalubre, inerte, escuro, sem ar.

É preciso compreender a necessidade de movimento do meu amor. É preciso compreender que quando ele ama, ama a tudo de uma só vez. Eu, você, as tardes, a menina andando de patins no Farol da Barra, o sorvete de morango na lanchonete, aquela música do Belchior, as cervejas no Sabiá, o sorriso de Paulo, as mãos de minha avó.

Meu amor é potência geradora que multiplica. Nunca se divide. Nunca subtrai. Ele transmuta. Ele agrega. Cada molécula de riso-flor-vida-luz torna-se componente integrante do meu amor e também córrego solto que desemboca em um oceano de existência e evolução. Meu amor tem vontade própria. E ganha o mundo. E quer imergir no que há de mais belo dentro e fora dele.

Hiperativo. Imperativo. Ansioso por amar. Se conjuga em continuum ininterrupto: presente do indicativo. Seu modus operandi – que não reconhece passado e não entende futuro – aponta, excede, escancara toda essa vida que nasce no agora e ilumina e traduz e justifica o caminhar terreno. Meu amor lateja. E está aqui, comigo. E também nas ondas eletromagnéticas do universo. Só não sente quem não quer!

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