Sabor e sal
Da multiplicidade regente, do desejo
bradante, do acalanto em amor e mar. O que me traduz? Qual a cor dos encontros
que vem e vão – e dizem e calam? Como se compõe a matéria que forma o cenário
desse meu novo caminho? Terra firma, atotô, ponte-trajeto, estrada do sol. Tudo
me chega, me afeta, me constrói. Lagrimencanto! O abraço da vovó, a mandala
improvisada, a volta ao lar. Benjoim, alecrim, alfazema, paralelismos e coincidências
do que existe e se entrelaça. Um salve a esse enorme e profícuo inusitado.
Sonho muito, vivo mais. Me permito
adentrar em um outro tempo, reverso. E tudo muda. Quero aqui, quero agora. Meus
olhos dançam diante do que me cerca. E param defronte a uma criança que sorri
para o mar. Onda absoluta que salga a dor. Cicatriza. Em lapsos distraídos, a
criança some e meu ser, inquieto, busca por outra coisa, por certo alguém. E aí
então me vejo, sigo embalo. Digo: por aqui, saudade, sorriso, saber. Eu, meus
eus e um abraço. Sabor e sal. Dos bons.



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