Traduzir semeadura

 

 

Fotografia: Mariana Kaoos

Traduzir semeadura. Folha em mim. Vida vastidão desígnio colheita. Plantar. Eu, pequenina grão semente, me adubo em terra firme, aterro, atotô. Água e germinação. Abrir portas e janelas, deixar o caule crescer em tempo e sabedoria. Suplantar a dúvida dos caminhos da existência. Envergar jamais! Me enveredar pelas paredes, chão, ocupar as estantes, me traduzir em cor. Verde musgo pino pêra oliva enebro esmeralda espuma de mar. Amazônia é vida pulsante. É preciso lutar e expandir e nunca esquecer que a árvore que brota lá, é o ar que respiro aqui. Que o mistério que nasce lá, é a resposta que encontro aqui. Que o sonho que se inicia lá, é a realidade que tenho que tenho aqui. Kosí ewe, kosí orixá. Okê Arô, meu pai! Me veste para a caça, me ensina a ter a capacidade, o entendimento da espera. Me locomove pelo espaço e irradia em mim a perspicácia de compreender o momento ímpar da colheita. A hora não poderia ser nenhuma outra que não essa da exatidão do agora: virar flor, ser raiz rizoma e entrar em estado de imanência com minha ancestralidade vegetal. Me multiplico em semente – espalhados aos quatro ventos de Oyá. Me rego em abundância. Cresço mirando o céu.

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